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Programa para a Conservação do Lobo-Guará – Lobos da Canastra


Equipe Responsável


Equipe executora:

Coordenador programa:  Rogério Cunha de Paula

Coordenador de campo: Jean Pierre dos Santos

Equipe executora:

Rogério Cunha de Paula;
Jean Pierre dos Santos;
Ricardo Corassa Arrais;
Vivian Moreno;
Adriano Gambarini e
Nucharin Songsasen

 

Descrição

Programa para a Conservação do Lobo-Guará -  Lobos da Canastra

Em janeiro de 2004 foi iniciado o projeto de pesquisa “Biologia comportamental e conservação do lobo-guará Chrysocyonbrachyurus no cerrado do estado de Minas Gerais”, envolvendo 10 instituições lideradas pela OSCIP Instituto Pró-Carnívoros. O projeto, popularmente chamado de “Lobos da Canastra”, contemplou vários objetivos relacionados à conservação do lobo-guará na região como estimativa populacional, dispersão de jovens, saúde, genética, comportamentos, áreas de vida e dieta. Além da pesquisa com o lobo-guará, algumas atividades junto à comunidade foram realizadas ao longo destes anos. O que buscou-se em todas elas foi a melhora na percepção dos moradores locais sobre a fauna e motivar a discussão dos problemas e busca por soluções pertinentes ao meio ambiente.
Rapidamente, o desenvolvimento de cada objetivo em linhas de pesquisa e ações estratégicas, evoluíram para a constituição de um programa transdisciplinar, o Programa para a Conservação do Lobo-Guará. A diferente estrutura organizacional manteve o  “Lobos da Canastra”.
Percebe-se claramente que há uma relação de tensão entre a unidade de conservação e a população local, originada ao longo do processo de criação da unidade há pouco menos de 40 anos. A falta de diálogo franco sobre a questão possibilitou a manutenção, e um possível aumento, do mal-estar entre comunidade e Ibama, que persistiu-se até dias de hoje com o ICMBio. Alguns reflexos podem ser facilmente verificados e que corroboram este fato:
- a ocorrência de incêndios florestais provocados dentro da unidade;
- a reduzida participação da comunidade no combate a tais incêndios;
- o baixíssimo índice de visitação de membros da comunidade à unidade;
- a relação conflituosa com algumas espécies da fauna tais como lobo-guará, onça-parda, entre outros predadores.
Em consequência disto, nota-se que a natureza local é pouco difundida e de certa forma até pouco conhecida da população, particularmente pelas crianças, o que parece refletir uma baixa valorização da região, como também, segundo informações de professoras entrevistadas, uma baixa autoestima por parte dos jovens locais. Cabe lembrar que a região da Serra da Canastra abriga a nascente do rio São Francisco, representa uma das maiores áreas conservadas de Cerrado no Brasil, e certamente a mais importante no sudoeste do estado de Minas Gerais.
Em termos de educação ambiental, três linhas de trabalho foram desenvolvidas de 2004 a 2010. A primeira foi a interação com a comunidade buscando compreender a cultura, as relações com a natureza e com a unidade. Nesse sentido, foram realizadas várias entrevistas com diversos membros da comunidade (professores, estudantes, técnicos da prefeitura, ex-funcionários do Ibama, fazendeiros, profissionais ligados ao turismo). Também foram feitas observações da comunidade em escolas, no Parque Nacional da Serra da Canastra, em espaços públicos e festas locais (p.ex: folia de reis, festa do Queijo, festa de São Roque).
A segunda linha de trabalho foi desenvolvida junto às escolas. Foram realizadas oficinas para o desenvolvimento do tema transversal Meio Ambiente nas escolas. Esta atividade relaciona-se a programa de extensão conduzido no Centro Universitário de Brasília, que enfoca especialmente o tratamento dado ao Cerrado nas escolas.
Nas oficinas deu-se início a um processo de reflexão e estabelecimento de estratégias para as escolas priorizarem a questão ambiental local. As três escolas do município de São Roque de Minas foram atendidas, e devido à solicitação da própria diretora, a escola municipal de Vargem Bonita (município vizinho) também foi atendida. As quatro oficinas contaram com a participação de cerca de 100 professoras, que representam praticamente a totalidade de professoras dos dois municípios.
A terceira linha de trabalho buscou a abertura de um canal efetivo de comunicação entre o projeto Lobo-guará e a comunidade, particularmente, as fazendas da região. A proposta foi a de produzir vídeos de curta duração (10-20 minutos) que abordassem temas ambientais de interesse e do dia-a-dia da comunidade, e veiculá-los em um cinema aberto, nas praças e nas fazendas, popularmente chamado de Cine-Lobo. Juntamente com os filmes educativos, também serão exibidos filmes do cinema nacional. A intenção foi de gerar, a partir dos filmes, discussões que resultem em ações efetivas para a melhoria da relação da comunidade com a natureza e a valorização da cultura local. Foram produzidos 4 filmes, sobre as riquezas locais, sobre a relação conflituosa do lobo com criadores de galinha, sobre a saúde na área rural e sobre resgates de tradições culturais.
Para acompanhar as atividades educacionais, fora desenvolvido um mascote do lobo-guará, cuja utilização se deu amplamente nas atividades.

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Para maiores informações visite o site do projeto http://amigodolobo.org