O Instituto
Pró-Carnívoros

O Instituto para a Conservação dos Carnívoros Neotropicais – Pró-Carnívoros é uma associação civil, de direito privado, não governamental e sem fins lucrativos. Foi fundada no Brasil em 1996, está sediada em Atibaia - SP e tem projetos a campo em diversos pontos do país. Clique para saber mais

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Gato-do-mato-pequeno
(Leopardus guttulus)

Gato-do-mato-pequeno (Leopardus guttulus)

Nome comum em Inglês: Southern tiger cat
Nome científico: Leopardus guttulus
Nome/s comum em Português: Gato-do-mato-pequeno, gato-do-mato

Informações gerais (valores médios com mínima e máxima em parênteses)


Comprimento do corpo (cm): (45-64)a Cauda (cm):  (25-33) a
Dieta: Carnívora
Peso (kg): 2.4 (1.5-3) a,b Altura (cm):  Área de vida (km2): (1-25) b
Número de filhotes: 1 (1-4)c Gestação (dias): (75-78)
Longevidade (anos): 11
Estrutura social: Solitários
Padrão de atividade: Noturno e diurno/crepuscular


a (Emmons & Feer 1997); b (de Oliveira & Cassaro 2005); c (de Oliveira et al. 2010)

 

Descrição Física
Até há pouco tempo, esta espécie era considerada uma subespécie de Leopardus tigrinus, mas estudo recente de Trigo et al. (2013), comparando o material genético de populações de gatos-do-mato das regiões sul da Mata Atlântica e de populações do Nordeste brasileiro, demonstrou que tratam-se de espécies distintas. É o segundo, junto com L. tigrinus, menor gato silvestre da América do Sul, com tamanho semelhante ao de um gato doméstico. A coloração básica é bem variável, com tonalidades entre o amarelo-claro e o castanho-amarelado. A pelagem dessa espécie, comparada com L. tigrinus, tende a tons mais escuros e com rosetas maiores e mais arredondadas. O melanismo é comum na espécie. Comparado com L. tigrinus esta espécie aparenta ser levemente mais encorpada, com uma cauda mais grossa e orelhas menores e mais arredondadas. A pelagem da barriga é pálida coberta com manchas escuras. As orelhas são pretas na porção posterior, com uma mancha central branca. A cauda equivale a 60% do comprimento da cabeça e corpo. Os pelos são todos voltados para trás, inclusive os da cabeça e nuca.

Ecologia e Habitat

Ocorre nas regiões sul, sudeste e centro-oeste do Brasil, além do Paraguai e nordeste da Argentina (Nascimento 2010), ocupando geralmente ambientes variados, desde áreas mais abertas àquelas com vegetação densa.

Assim como ocorre com os demais gatos pequenos, é um animal pouco estudado. Os dados existentes demonstram ser um animal solitário, de hábitos diurnos e noturnos que se alimenta de pequenos roedores, lagartos e pequenas aves (Wang 2002).

Ameaças e Conservação
A caça para o comércio de peles e a destruição das florestas são as principais causas de ameaça para essa espécie. Populações estão seriamente fragmentadas, sendo severamente reduzidas pela conversão do habitat natural para plantações e pastagens (de Oliveira et al. 2008). Além disso, o pequeno conhecimento sobre a biologia desta espécie, limita a possibilidade da atuação em estratégias de conservação eficientes. É classificado pela IUCN (União Internacional para Conservação da Natureza) como espécie vulnerável e pelo IBAMA, como ameaçado de extinção.

 

Links Online

IUCN redlist (http://www.iucnredlist.org) apresenta uma síntese dos conhecimentos atuais sobre a distribuição e estado de conservação.

IUCN Cat Specialist Group (grupo de especialistas dos gatos):

http://www.catsg.org/catsgportal/20_catsg-website/home/index_en.htm

IUCN Cat Specialist Group species accounts (descrições das espécies de felinos selvagens):
http://www.catsg.org/index.php?id=600

Referências

Emmons, L. H., & Feer, F. (1997). Neotropical rainforest mammals: a field guide. Chicago: University of Chicago Press.

Wang, E. (2002). Diets of ocelots (Leopardus pardalis), margays (L-wiedii), and oncillas (L-tigrinus) in the Atlantic rainforest in southeast Brazil. Studies on Neotropical Fauna and Environment, 37, 207-212.

de Oliveira, T. G., & Cassaro, K. (2005). Guia de Campo dos Felinos do Brasil. São Paulo, SP: Instituto Pró-Carnívoros/Fundação Parque Zoológico de São Paulo/SZB/Pró-Vida Brasil.

de Oliveira, T. G., Tortato, M. A., Silveira, L., Kasper, C. B., Mazim, F. D., Lucherini, M., Jácomo, A. T. A., Soares, J. B. G., Marques, R. V., & Sunquist, M. E. (2010). Ocelot ecology and its effect on the small-felid guild in the lowland Neotropics. In D. W. Macdonald & A. Loveridge (Eds.), Biology and Conservation of Wild Felids (pp. 563-584). Oxford: Oxford University Press.

de Oliveira, T., Eizirik, E., Schipper, J., Valderrama, C., Leite-Pitman, R., & Payan, E. (2008). Leopardus tigrinus. In: IUCN 2010. IUCN Red List of Threatened Species. Version 2010.2. , <www.iucnredlist.org>, Downloaded on 10 July 2010.
Nascimento, F.O. 2010. Revisão taxonômica do gênero Leopardus Gray, 1842 (Carnivora, Felidae). Tese (Doutorado em Ciências, Zoologia). Universidade de São Paulo. 366 p.

de Oliveira, T.; Tortato, M.; Almeida, L. B.; Campos, C. B. & Beisiegel, B. M. (2013). Avaliação do risco de extinção do Gato do mato Leopardus tigrinus (Schreber, 1775) no Brasil. Biodiversidade Brasileira, v.3, n.1, p. 56-65.

Trigo T. C., Schneider A., de Oliveira T. G., Lehugeur L. M., Silveira L., Freitas T. R. O & Eizirik, E. 2013. Molecular data reveal complex hybridization and a cryptic species of Neotropical wild cat. Current Biology 23, 1-6.

Cat Specialist Group – Cats – Americas – Southern tiger cat – http://www.catsg.org/index.php?id=600 – acesso em 30 de março de 2015.